QUER COMPRAR MÓVEIS DE ESCRITÓRIO?
Nos idos de outubro de 1995, uma maldição caiu sobre mim. Lá estava eu, na fila do Banestado (é... faz tempo), pronta para pagar a ficha de inscrição do vestibular da Universidade Federal do Paraná.
Tinha acabado de pintar aquele quadradinho, número 41. Lembro bem do número porque fiz todas as associações que a minha ignorância numerológica e cabalística poderia fazer. “Bacharelado em Direito – Diurno” era o que estava escrito.
Alguns dias mais tarde, a notícia correu pelo colégio: Direito seria o curso mais concorrido daquele ano. Na época, só havia três faculdades de Direito em Curitiba. (ah, bons tempos!) e a concorrência era mais acirrada que hoje. Batia os quarenta candidatos por vaga. Eu teria que estudar muito mais para o tal do vestibular, e assim o fiz.
Mal sabia que estava cavando minha própria cova. Passar no vestibular foi um trololó, perto do que veio depois.
Passados oito anos, após chefes psicopatas, sócios sociopatas e clientes mentirosos e caloteiros, aprendi algumas lições. Uma delas foi a de selecionar melhor os meus clientes. Outra é selecionar melhor os meus sócios. Ganhei de presente da sorte um anjo da guarda chamada Suzana, minha atual sócia, que me quebra cada galho, a ponto de eu ter certeza que nunca conseguirei retribuir.
Também tive a sorte de achar um emprego no Jurídico de uma empresa, paralelamente ao escritório, em que não tenho que atuar diretamente em processos judiciais, e é esse o ponto.
Eu odeio ser advogada. Eu odeio as formalidades do meio. Eu detesto jargões jurídicos. Eu me sinto mal dentro do Fórum. Eu acho juízes chatos. Eu acho homem de terno horrível. Eu detesto chamar de "nobre colega" aqueles advogados pedantes. Eu tenho nojo de mulher de laquê no cabelo. Eu odeio usar tailler. Eu odeio clientes. Eu odeio ser advogada! Ficou bem claro? Não? Então vou repetir em maiúsculas: EU ODEIO SER ADVOGADA!
Antigamente achava que vocação era algo bobo, algo que se constrói com o tempo. Não é...
Antigamente eu achava que poderia escolher a minha profissão tendo por base a facilidade para o mercado de trabalho. Tal escolha só tornou as coisas mais difíceis.
Fico tão triste quando vejo a ilusão nos olhos de meninotes e meninotas com seus 15, 16 anos de idade, quando falam, quase unânimes: “Direito”, quando perguntados sobre que carreira pretendem seguir.
Quando estava perto da formatura, havia advertido todo mundo, que acho extremamente bregas os advogados que ostentam anéis de formatura. Seu Ivan, pra minha surpresa, mandou fazer um anel especial, bem diferente daqueles anéis de rubi e uma balança talhada. É um anel lindo! Mas muito pouco usado... pra tristeza do meu pai. Desculpa, pai, mas não me orgulho por ser advogada.
E esse texto é uma homenagem à OAB-PR, a quem acabo de deixar exatos R$ 485,03, para que, em 2005, eu possa continuar odiando ser advogada.
Escrito por Karinassa às 20h54
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|