
Como já explicitei lá no Fracassados uma ova! passei boa parte das minhas folias carnavalescas dentro das salas de cinema. Assisti ao filme do qual anda se falando, por aí: Closer – Perto Demais.
Fui com uma amiga tradicional, romântica, casadoira, conservadora.... dessas pessoas elevadas que acreditam no amor romântico. Uma menina um pouco diferente da Karinassa, aqui.
(Karinassa, desde quando você tem amigas? Pois é... de vez em quando tem uma ou outra que agüento).
Bom, a minha coleguinha tinha ataques histéricos! “Vaca” era elogio para a Julia Roberts, durante o desenrolar do filme. A morte com requintes de crueldade era pouco para Jude Law. Clive Owen alçou o status de herói da trama quando se vingou com um certo sadismo da traição da mulher. “O mundo está virado de pernas pro ar” era o que eu ouvia ao meu lado...
Enfim, o filme foi um impacto para a menina.
E, na mesma proporção, foi um impacto para mim, mas por razões diferentes. A despeito das atitudes reprováveis de todos os personagens do filme, não consegui identificar vilões.
Uma das recomendações sobre o filme me veio sob a forma de: “O filme é bastante cético com relação ao amor”.
Pois eu discordo. O amor estava lá, em carne viva, retratado na história. Mas não era bonito, elevado... considero o filme não cético, mas um tanto realista. Consegui identificar o quanto as pessoas simplesmente não conseguem conduzir a própria liberdade a que se propõem a viver, o quanto é possível levar a liberdade ao grau de promiscuidade.. (ainda com tal risco, a liberdade ainda é a única alternativa tolerável). O que Closer retrata, são pessoas que amam de maneira promíscua, mas não, necessariamente, errada.
Aliás, não consigo entender quem se acha confortável em classificar atitudes alheias como corretas e erradas. Se tem uma coisa que esse tal de Direito me ensinou, é que as normas de conduta (no caso, as normas morais) são um instrumento de regularização e viabilidade social. Nada com relação a uniformização social.
De fato, penso que uma das grandes futuras evoluções futuras da humanidade será o conceito de fidelidade e traição. (não que lhes interesse, mas, apenas para não criar uma impressão errada, Karinassa sempre foi fidelíssima em quaisquer relações a que se submeteu, e segundo o conceito tradicional de fidelidade).
O conceito de amor já está sendo reformado, e Closer foi mais uma pedra nessa reforma.
Closer dói.
Escrito por Karinassa às 15h56
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