SEÇÃO KARINASSA


Tempos Modernos

Ontem reparei num filme comercial, estrelado pela Malu Mader, que promovia um comprimido para dor-de-cabeça. (A propaganda cumpre tanto a sua função que eu não lembro do nome do referido comprimido, para ilustrar melhor o texto).

 

O filme consiste em, basicamente uma Malu Mader profissional, vestida de terninho preto e sapato social contracenando com outra Malu Mader mais dona de casa, com cabelo preso e camiseta. Ambas explicam ao expectador o quanto a vida é atribulada, já que ela acumularia as tarefas de dona-de-casa, mãe, profissional, esposa.... enfim... o drama da mulher moderna.

 

Eis que a nossa estrela solta a seguinte frase, para convencer o potencial consumidor:

 

“- Nessa vida agitada, eu não tenho tempo para sentir dor-de-cabeça, por isso tomo o comprimido X e a dor passa num instante” (ou algo assim).

 

Sou absolutamente leiga em ciências publicitárias, mas, até onde sei, o objetivo primeiro de uma propaganda é o de criar a necessidade no consumidor em potencial, certo? (corrijam-me se eu estiver errada).

 

E, aqui, o argumento usado para que o consumidor sinta a necessidade de combater uma dor é... a falta de tempo (?). Ou seja, se você tiver tempo sobrando, viva com a sua dor. Se a dor não atrapalhar o seu desempenho profissional-social-pessoal, não há o que se reclamar. Dor é frescura, a não ser que interfira na excelência das suas atividades! Aí, sim, se justifica o remédio. Tudo pela eficiência!

 

...

 

Impressão minha, ou o mundo anda mudando o foco das coisas?

 

Update: Só para esclarecer, a minha indignação com relação ao filme comercial está no fato de que um comprimido para dor-de-cabeça deveria atrair o seu consumidor para... combater a dor-de-cabeça, e não para melhorar a eficiência das atividades diárias. A imagem que o filme passa é que o pior da dor-de-cabeça não é a dor em si, mas a interferência que ela pode causar a pessoas que devem focar tudo na excelência do seu desempenho diário. É a importância que se dá ao desemprenho diário. De alguma maneira, o publicitário responsável entendeu que o que mais incomoda nas dores é o quanto ela atrapalha objetivamente a vida das pessoas, e que assim atrairia mais consumidores. O pior da dor é a dor, pombas!



Escrito por Karinassa às 09h30
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Às vezes eu pego um pouco de nojo dos textos que escrevo. Simplesmente não consigo fazer uma segunda leitura. Não sei se ocorre quando o assunto objeto do texto me é extremamente cansativo, ou se o texto é cansativo em si. Ler o próprio texto é quase olhar o espelho.

 

O fenômeno aconteceu com os últimos dois textos publicado ali abaixo. Foram publicados nas suas primeiras versões. Sabe como? Escrever e enviar. Nem um corretorzinho Word antes. Nem uma lidinha para checar as concordâncias...

 

Só hoje consegui relê-los.

 

A idéia era boa, a escrita ficou uma droga.

 

Embora já tenham se esgotado, vou dar uns tapinhas aqui e ali, só para não ficar o registro vergonhoso de “uma das grandes futuras evoluções futuras da humanidade” ou “ao fato de eu nunca me senti confortável”.

 

E você que continua vindo por aqui, mesmo depois das aberrações... muito obrigada.

 

Aliás, obrigada nada! Alguém podia ter me dado um toque, pô!



Escrito por Karinassa às 11h39
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Na última edição da SK (eu sei, faz tempo...) eu mencionei que os conceitos de amor e fidelidade, no futuro, seriam reformados, segundo as minhas crenças.

 

Por conta disso, recebi o comentário, abaixo transcrito, do impagável João Artureno, (Céus! Mais uma criança que aprendeu a escrever! Onde esse mundo vai parar?):

 

“(...) Depois que a gente se decepciona no campo amoroso, é como que se acordássemos de um sonho (irreal, diga-se de passagem). (...) A respeito do seu comentário sobre o conceito de fidelidade, discordo. E notei que você também discorda (tudo bem, pode ter sido impressão minha...). Acho que o monogamia ainda continuará presente na sociedade por muito tempo. Essa tese não se aplica ao período anterior ao casamento, onde a mudança já ocorre: menos compromisso, mais diversão, todos felizes! Mas no matrimônio, independente de religião ou conceitos, a monogamia continuará a ser predominante. Ou você se imagina dividindo seu marido com outras? =). Beijos!”

 

Primeiro, acho importante esclarecer que o texto anterior, publicado em 09/02/05, não foi um desabafo. Pra falar a verdade, eu nunca me decepcionei de maneira tão grave, no campo amoroso. Claro, uma traiçãozinha aqui, um fora acolá, mas nada que me deixasse traumas.

 

Essa ausência de traumas se deve ao fato de eu nunca ter me sentido confortável para fixar juízos a respeito das atitudes alheias, ainda que elas me atinjam diretamente. Não é hipocrisia quando defendo que a popular escapada não é a exteriorização suprema do mau-caratismo de alguém.

 

Devemos nos ater ao fato de que um relacionamento amoroso se estabelece entre duas pessoas distintas, com valores e emoções distintos. E o conceito de traição pode ser muito diferente de um para outro. E mais, os relacionamentos não são objetivos. Não são textos de lei. É besteira predeterminarmos regras. É até um pouco ridículo:

 

Olhou para bunda alheia. Pena: cara amarrada

Beijou outra (o). Pena: dar um tempo

Transou com terceira (o). Pena: fim.

 

Vamos esclarecer uma coisa: nada contra, mas não sou adepta de relações abertas, casas de suingue, surubas, poligamia e demais.

 

Mas realmente penso que as reações devem ser medidas de acordo com a dor provocada. Se é insuportável conviver com a ação do par, a reação é a separação. E só nesse caso, independente do que tenha ocorrido. A normatização das relações é uma característica da nossa sociedade, que pensa ser inviável  relações sociais sem normatização. Isso faz algum sentido se considerarmos o grande número de pessoas que coexistem.

 

Mas numa relação amorosa são apenas duas pessoas (em princípio), que devem moldar-se uma à outra, durante a convivência. Isso sim é uma relação e não uma sopa de regras a que o casal resolve se submeter mutuamente. E essas considerações valem para qualquer casal, existente ao tempo que for, antes ou depois dos laços matrimoniais, ao contrário da concepção do meu amigo Artureno.

 

Penso que se um dia ouvisse: Karinassa, ontem saí, tomei umas cervejas e... putz, acordei numa cama desconhecida”, seria algo realmente dolorido, mas suportável. Mais suportável do que: Karinassa, estou encantado por outra. Nunca toquei nela”.

 

Ou, ainda, acho que suportaria melhor uma traição a uma agressão...

 

Isso de acordo com a minha escala de valores, com a maneira que as coisas me atingem.

 

Talvez para você seja diferente.



Escrito por Karinassa às 09h31
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