Na última edição da SK (eu sei, faz tempo...) eu mencionei que os conceitos de amor e fidelidade, no futuro, seriam reformados, segundo as minhas crenças.
Por conta disso, recebi o comentário, abaixo transcrito, do impagável João Artureno, (Céus! Mais uma criança que aprendeu a escrever! Onde esse mundo vai parar?):
“(...) Depois que a gente se decepciona no campo amoroso, é como que se acordássemos de um sonho (irreal, diga-se de passagem). (...) A respeito do seu comentário sobre o conceito de fidelidade, discordo. E notei que você também discorda (tudo bem, pode ter sido impressão minha...). Acho que o monogamia ainda continuará presente na sociedade por muito tempo. Essa tese não se aplica ao período anterior ao casamento, onde a mudança já ocorre: menos compromisso, mais diversão, todos felizes! Mas no matrimônio, independente de religião ou conceitos, a monogamia continuará a ser predominante. Ou você se imagina dividindo seu marido com outras? =). Beijos!”
Primeiro, acho importante esclarecer que o texto anterior, publicado em 09/02/05, não foi um desabafo. Pra falar a verdade, eu nunca me decepcionei de maneira tão grave, no campo amoroso. Claro, uma traiçãozinha aqui, um fora acolá, mas nada que me deixasse traumas.
Essa ausência de traumas se deve ao fato de eu nunca ter me sentido confortável para fixar juízos a respeito das atitudes alheias, ainda que elas me atinjam diretamente. Não é hipocrisia quando defendo que a popular escapada não é a exteriorização suprema do mau-caratismo de alguém.
Devemos nos ater ao fato de que um relacionamento amoroso se estabelece entre duas pessoas distintas, com valores e emoções distintos. E o conceito de traição pode ser muito diferente de um para outro. E mais, os relacionamentos não são objetivos. Não são textos de lei. É besteira predeterminarmos regras. É até um pouco ridículo:
Olhou para bunda alheia. Pena: cara amarrada
Beijou outra (o). Pena: dar um tempo
Transou com terceira (o). Pena: fim.
Vamos esclarecer uma coisa: nada contra, mas não sou adepta de relações abertas, casas de suingue, surubas, poligamia e demais.
Mas realmente penso que as reações devem ser medidas de acordo com a dor provocada. Se é insuportável conviver com a ação do par, a reação é a separação. E só nesse caso, independente do que tenha ocorrido. A normatização das relações é uma característica da nossa sociedade, que pensa ser inviável relações sociais sem normatização. Isso faz algum sentido se considerarmos o grande número de pessoas que coexistem.
Mas numa relação amorosa são apenas duas pessoas (em princípio), que devem moldar-se uma à outra, durante a convivência. Isso sim é uma relação e não uma sopa de regras a que o casal resolve se submeter mutuamente. E essas considerações valem para qualquer casal, existente ao tempo que for, antes ou depois dos laços matrimoniais, ao contrário da concepção do meu amigo Artureno.
Penso que se um dia ouvisse: “Karinassa, ontem saí, tomei umas cervejas e... putz, acordei numa cama desconhecida”, seria algo realmente dolorido, mas suportável. Mais suportável do que: “Karinassa, estou encantado por outra. Nunca toquei nela”.
Ou, ainda, acho que suportaria melhor uma traição a uma agressão...
Isso de acordo com a minha escala de valores, com a maneira que as coisas me atingem.
Talvez para você seja diferente.
Escrito por Karinassa às 09h31
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